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Hipertensão Arterial Sistêmica: O que é, como prevenir e maneiras eficazes de tratar.

Atualizado: 31 de mar. de 2025

A imagem mostra um profissional de saúde, vestindo jaleco branco e estetoscópio, medindo a pressão arterial de um paciente com um manguito de esfigmomanômetro eletrônico. O paciente está sentado, com o braço apoiado na mesa, e o aparelho de medição de pressão está posicionado ao lado. A imagem enfatiza um procedimento comum de aferição de pressão arterial em ambiente clínico.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS), conhecida popularmente como "pressão alta", é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Trata-se de um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular encefálico (AVE), sendo, junto do tabagismo, a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), a hipertensão é definida como uma pressão arterial sistólica (PAS) igual ou superior a 140 mmHg e/ou uma pressão arterial diastólica (PAD) igual ou superior a 90 mmHg, ou

A imagem ilustra de forma estilizada o controle da pressão arterial. No centro, há um monitor digital grande com números representando leituras de pressão arterial. À esquerda, um médico segurando uma prancheta aponta para o monitor, enquanto à direita há um casal de idosos de pé. Um ícone de coração com um eletrocardiograma e outro de cápsulas de medicamento estão presentes, simbolizando a relação entre o controle da pressão, saúde cardiovascular e tratamento medicamentoso, especialmente em idosos.

seja, se sua pressão estiver acima de 14 por 9 continuamente, você é hipertenso em algum grau e necessita de acompanhamento e tratamento. Mesmo com esse parâmetro bem definido, ela é muitas vezes silenciosa, sem apresentar sintomas claros, o que dificulta sua detecção precoce.

No Brasil, estima-se que cerca de 30% da população adulta sofra dessa doença, em pessoas com mais de 60 anos, essa prevalência pode chegar a 50% e, de acordo com dados do Ministério da Saúde, é responsável por mais de 400 mil mortes anuais, direta ou indiretamente, através de complicações como infarto, AVE e insuficiência renal. Além disso, ela é uma das maiores causas de internação hospitalar e incapacidade laboral no país devido suas consequências. Esses números são alarmantes e apontam para a necessidade de medidas preventivas e de conscientização em relação ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado dessa condição.

Globalmente, a hipertensão afeta mais de 1 bilhão de pessoas, e a previsão é de que esse número continue a crescer devido ao envelhecimento populacional e ao aumento da prevalência de fatores de risco como a obesidade e o sedentarismo.



Como a hipertensão afeta a qualidade de vida?


Embora muitas pessoas com hipertensão não apresentem sintomas, ela pode causar uma série de complicações de saúde a longo prazo, afetando órgãos vitais como o coração, os rins, o cérebro e as artérias das extremidades (mãos e pés). O coração, por exemplo, precisa trabalhar mais para bombear sangue contra a pressão elevada nas artérias, o que pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Ela também aumenta o risco de desenvolvimento de arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, que é uma das principais causas de AVE em pacientes hipertensos.

Nos rins, a pressão arterial (PA) elevada pode causar danos aos vasos sanguíneos e às pequenas estruturas responsáveis pela filtração do sangue, resultando em insuficiência renal, aumentando as chances de necessitar de diálise ou até mesmo de transplante renal.

A imagem ilustra um pé com sinais de gangrena avançada nos dedos, que estão escurecidos, com a pele quebrada e apresentando áreas de necrose. Uma mão está apalpando o tornozelo, indicando a avaliação da circulação ou de possíveis sinais de dor e inchaço. A cor da pele no tornozelo é arroxeada, sugerindo comprometimento da irrigação sanguínea. Esta imagem representa as graves complicações da má circulação sanguínea, possivelmente relacionada a doenças como diabetes ou doenças vasculares.
DAOP. Pé com gangrena avançada nos dedos.

Inclusive, a hipertensão não controlada pode causar danos irreversíveis ao cérebro, um dos mais graves é o AVE, sendo que esta também pode contribuir para o desenvolvimento de demência vascular, uma forma de demência que resulta da redução crônica do fluxo sanguíneo cerebral. Para as artérias, o impacto da hipertensão pode se manifestar através da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), que reduz a quantidade de sangue para os membros, especialmente pernas e pés, e pode levar a úlceras e amputações em casos graves. Veja a imagem ao lado.

A imagem ilustra os principais órgãos e sistemas afetados pela hipertensão arterial, destacando as consequências em diferentes partes do corpo. Abaixo está a tradução e uma explicação detalhada de cada uma das áreas mencionadas:  Olhos (Eye):  Remodelação microvascular. Retinopatia hipertensiva. Explicação: A pressão arterial elevada afeta os vasos sanguíneos dos olhos, resultando em alterações estruturais e danos na retina, o que pode levar à perda de visão.  Cérebro (Brain):  Lesões na substância branca. Microinfartos silenciosos. Micro-hemorragias. Atrofia cerebral. Comprometimento cognitivo. Demência vascular. Acidente vascular encefálico (isquêmico). Hemorragia cerebral. Explicação: A hipertensão causa danos aos vasos sanguíneos cerebrais, resultando em acidentes vasculares encefálicos, danos nas células cerebrais e comprometimento cognitivo, como demência.  Coração (Heart):  Hipertrofia ventricular esquerda (HVE). Dilatação do átrio esquerdo (LA) e do ventrículo esquerdo (LV). Fibrilação atrial (AF). Doença arterial coronariana (DAC) obstrutiva e não obstrutiva. Infarto do miocárdio. Insuficiência cardíaca diastólica e/ou sistólica. Explicação: A pressão alta força o coração a trabalhar mais, resultando no aumento do tamanho das câmaras cardíacas, além de aumentar o risco de arritmias, doenças arteriais coronarianas, infarto e insuficiência cardíaca.  Rins (Kidney):  Hipertensão arteriolar glomerular. Glomeruloesclerose. Albuminúria/Proteinúria. Diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG). Explicação: A hipertensão crônica danifica os pequenos vasos dos rins, levando à perda da função renal (insuficiência renal), que pode ser observada pelo aumento de proteínas na urina e diminuição da capacidade de filtragem dos rins.  Grandes e Médias Artérias (Large and Medium Arteries):  Aterosclerose. Calcificação vascular. Rigidez arterial. Explicação: A hipertensão acelera o processo de aterosclerose (acúmulo de placas nas artérias), endurecendo e calcificando as artérias, o que dificulta o fluxo sanguíneo adequado e aumenta o risco de eventos cardiovasculares.  Microcirculação (Microcirculation):  Disfunção endotelial. Aumento da vasorreatividade. Remodelação vascular. Fibrose e inflamação. Aumento da resistência vascular periférica. Explicação: A hipertensão causa danos aos pequenos vasos sanguíneos (microcirculação), resultando em inflamação e aumento da resistência nos vasos, prejudicando a entrega de oxigênio e nutrientes aos tecidos.  Essa imagem ajuda a entender como a hipertensão afeta múltiplos órgãos e sistemas do corpo, aumentando o risco de complicações graves como infarto, AVC, insuficiência renal e comprometimento cognitivo.

A imagem acima ilustra os principais órgãos e sistemas afetados pela HAS, destacando as consequências em diferentes partes do corpo:

  1. Olhos: A pressão arterial elevada afeta os vasos sanguíneos dos olhos, resultando em alterações estruturais e danos na retina, o que pode levar à perda de visão.

  2. Cérebro: danos aos vasos sanguíneos cerebrais, resultando em AVEs,, danos nas células cerebrais e comprometimento cognitivo, como demência.

  3. Coração: ela força o coração a trabalhar mais, resultando no aumento do tamanho das câmaras cardíacas, além de aumentar o risco de arritmias, doenças arteriais coronarianas, infarto e insuficiência cardíaca.

  4. Rins: A hipertensão crônica danifica os pequenos vasos dos rins, levando à perda da função renal (insuficiência renal), que pode ser observada pelo aumento de proteínas na urina e diminuição da capacidade de filtragem dos rins.

  5. Grandes e Médias Artérias: acelera o processo de aterosclerose (acúmulo de placas nas artérias), endurecendo e calcificando as artérias, o que dificulta o fluxo sanguíneo adequado e aumenta o risco de eventos cardiovasculares.

  6. Microcirculação: causa danos aos pequenos vasos sanguíneos (microcirculação), resultando em inflamação e aumento da resistência nos vasos, prejudicando a entrega de oxigênio e nutrientes aos tecidos.




Fatores de Risco Associados à Hipertensão


Os fatores de risco para hipertensão arterial são variados e podem ser classificados em modificáveis e não modificáveis. Entre os fatores de risco não modificáveis, destacam-se a idade, o sexo e a genética. Com o envelhecimento ocorre endurecimento das artérias, por isso a pressão arterial tende a aumentar com ele. A prevalência da doença é maior em homens jovens, mas à medida que as mulheres envelhecem, especialmente após a menopausa, a incidência da hipertensão torna-se mais alta entre elas.

A genética também desempenha um papel importante no desenvolvimento do distúrbio: se um ou ambos os pais são hipertensos, há uma chance significativamente maior de que os filhos também a desenvolvam em algum momento da vida.

Os principais fatores de riscos modificáveis são o sedentarismo, a obesidade, o consumo excessivo de álcool, a ingestão elevada de sódio e a má alimentação. Um estilo de vida sedentário contribui diretamente para o aumento da pressão arterial, enquanto a obesidade é um dos maiores fatores de risco para a hipertensão.

A imagem ilustra uma pessoa com sobrepeso em cima de uma balança, com ícones que representam os efeitos da obesidade sobre diferentes aspectos da saúde. Os ícones mostram um coração (risco cardiovascular), uma articulação (impacto nas articulações), um estômago (problemas gastrointestinais) e uma gota de sangue (alterações nos níveis de glicose ou colesterol). Ao lado da pessoa, há um médico segurando uma prancheta, indicando a importância do acompanhamento médico no controle do peso e na prevenção de complicações relacionadas à obesidade.

A circunferência abdominal aumentada está fortemente associada ao aumento da pressão arterial e ao risco de doenças cardiovasculares. O consumo excessivo de sódio também é um fator determinante, com estudos demonstrando que a redução na ingestão de sal pode diminuir significativamente a pressão arterial.

Outro fator de risco importante é o tabagismo, ele está diretamente relacionado ao desenvolvimento e agravamento da hipertensão arterial. Quando uma pessoa fuma, a nicotina presente no cigarro provoca a liberação de adrenalina, que, por sua vez, aumenta a frequência cardíaca e contrai/estreita os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial. Esse aumento pode até ocorrer temporariamente após cada cigarro fumado, mas o uso crônico pode levar a um estado persistente de hipertensão.

Aliás, o tabagismo contribui para o desenvolvimento de aterosclerose, uma condição em que as artérias ficam endurecidas e com seu interior diminuído (veja imagens abaixo) devido ao acúmulo de placas de gordura. Esse processo dificulta o fluxo sanguíneo e aumenta ainda mais a pressão arterial. Quando associado à hipertensão, o tabagismo amplifica o risco de complicações graves, como infarto do miocárdio, AVE e insuficiência cardíaca.



As imagens acima ilustram o processo de aterosclerose e a obstrução progressiva das artérias devido ao acúmulo de placas de gordura e trombos, levando a um estreitamento progressivo da artéria, dificultando o fluxo sanguíneo e potencialmente formando um trombo que pode obstruir completamente o vaso.


Clique aqui e veja mais informações sobre tabagismo na minha outra postagem.


Fatores Comportamentais:

  1. Atividade física: A prática regular de exercícios ajuda a controlar a pressão arterial;

  2. Comportamento sedentário: A inatividade contribui para o desenvolvimento de hipertensão;

  3. Qualidade e quantidade de sono: Distúrbios do sono, como apneia, estão associados à hipertensão;

  4. Padrões alimentares: Dietas ricas em sal, gorduras e açúcares aumentam o risco de hipertensão;

  5. Consumo de sódio e potássio: Consumo excessivo de sódio e baixo consumo de potássio afetam negativamente a pressão arterial;

  6. Obesidade: O excesso de peso é um fator de risco significativo para hipertensão;

  7. Consumo de álcool: O consumo excessivo de álcool pode elevar a pressão arterial;

  8. Drogas ou substâncias que aumentam a pressão arterial: Certos medicamentos ou substâncias, como os anti-inflamatórios ou o tabaco, podem elevar a pressão arterial.


Fatores Socioeconômicos e Psicossociais:

  1. Estresse: A exposição ao estresse crônico pode aumentar o risco de hipertensão;

  2. Status socioeconômico baixo: Pessoas de menor renda têm maior risco de desenvolver hipertensão, possivelmente devido ao acesso limitado aos cuidados de saúde e estilos de vida não saudáveis;

  3. Desigualdade social: Pessoas marginalizadas têm maior risco de pressão alta;

  4. Acesso a cuidados de saúde: Dificuldades no acesso a cuidados preventivos podem levar ao aumento do risco;

  5. Identidade de gênero, papéis e normas: Questões relacionadas a gênero podem influenciar a prevalência de hipertensão;

  6. Violência de gênero: Pode contribuir para níveis mais altos de estresse e, consequentemente, hipertensão;

  7. Discriminação: Experiências de discriminação estão associadas a piores resultados de saúde, incluindo hipertensão.


Compreender esses fatores e mecanismos é essencial para a prevenção e o manejo eficaz da hipertensão, pois o tratamento precisa abordar tanto as causas biológicas subjacentes quanto os fatores comportamentais e sociais que contribuem para o problema.



Sintomas e Diagnóstico da Hipertensão


Na maioria dos casos ela não apresenta sintomas até que ocorra algum dano grave aos órgãos, por isso a importância do rastreio precoce em populações com os fatores de risco mencionados anteriormente. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir dor de cabeça intensa, tontura, falta de ar, visão embaçada e dor no peito. No entanto, muitos desses sinais só aparecem quando a pressão já está perigosamente alta, o que torna crucial o monitoramento regular da pressão arterial.

O diagnóstico é crucial para evitar complicações graves e é feito com base na medição da pressão, que pode ser realizada no consultório médico, por automonitoramento domiciliar ou através da monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA). De acordo com as diretrizes atuais, o diagnóstico de hipertensão deve ser confirmado por várias leituras em diferentes ocasiões, preferencialmente utilizando a MAPA ou a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), que fornecem dados mais precisos sobre o comportamento da pressão arterial ao longo do dia e da noite.


A MRPA é uma abordagem para medir a pressão arterial fora do consultório, quando o paciente mede sua própria pressão em casa, usando um aparelho validado pela ANVISA. Clique aqui para conferir os modelos aceitos.


Para realizar a medica é preciso tomar alguns cuidados:

  • Estar sentado confortavelmente após 5 minutos de descanso, com as pernas descruzadas e as costas apoiadas durante a medição;

  • Evitar exercícios e estimulantes (cafeína, tabaco) por pelo menos 30 minutos antes da medição;

  • Bexiga vazia;

  • O braço deve estar apoiado (para evitar aumentos isométricos induzidos pelo esforço);

  • As roupas na área onde o manguito será colocado devem ser removidas; dobrar as mangas deve ser evitado, pois pode causar o efeito de torniquete;

  • Devem ser realizadas três medições da PA, com intervalo de 1 a 2 minutos entre elas, e medições adicionais devem ser realizadas apenas se as leituras discordarem por mais de 10 mmHg. O valor registrado deve ser a média das duas últimas leituras de PA.



Baixa esse arquivo e faça o controle da sua pressão em casa:


A imagem abaixo apresenta um medidor visual de pressão arterial, destacando as faixas de pressão sistólica aceitáveis, elevadas e perigosas, com base nas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia. Esses valores não são relacionados ao MRPA, mas sim ao diagnóstico feito no consultório médico. O medidor vai de verde (pressão normal) a vermelho (hipertensão grave). O ideal é manter a pressão sistólica abaixo de 140 mmHg, com a faixa de 120-129 mmHg sendo considerada aceitável. A pressão de 120 mmHg é destacada como ponto ideal, se tolerada. Pressões acima de 185 mmHg requerem atendimento médico de emergência.

A imagem apresenta um medidor visual de pressão arterial, destacando as faixas de pressão sistólica aceitáveis, elevadas e perigosas, com base nas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia. O medidor vai de verde (pressão normal) a vermelho (hipertensão grave). O ideal é manter a pressão sistólica abaixo de 140 mmHg, com a faixa de 120-129 mmHg sendo considerada aceitável. A pressão de 120 mmHg é destacada como ponto ideal, se tolerada. Pressões acima de 185 mmHg requerem atendimento médico de emergência. A imagem também menciona situações específicas, como hipotensão ortostática e fragilidade em idosos, que podem exigir ajustes no tratamento.

O que fazer quando a pressão estiver aumentada?

É comum que a pressão aumente momentaneamente em determinadas ocasiões, e isso não significa necessariamente a presença de HAS, nem indica a necessidade imediata de tratamento com medicação anti-hipertensiva. Muitas vezes, essa elevação está relacionada a situações temporárias, como estresse emocional, dor, ansiedade ou mal-estar, resultando em uma pressão arterial elevada de forma transitória. Nesses casos, podem surgir sintomas como dor de cabeça, tontura e palpitações, mas esses sinais geralmente não são perigosos a curto prazo.

Essa condição em que a pressão aumenta por conta de um sintoma é chamada de pseudocrise hipertensiva, que é diferente da uma emergência hipertensiva a qual há uma elevação aguda da pressão arterial acompanhada de danos em órgãos vitais. No caso da pseudocrise, o tratamento imediato com medicamentos para baixar a pressão arterial não é indicado, já que ela tende a se normalizar com a resolução da causa subjacente, como o controle do estresse ou alívio da dor, aliás a administração inadequada de anti-hipertensivos em tais situações pode levar a uma queda excessiva da pressão arterial, provocando hipotensão e complicações.

É importante ressaltar que, apesar de a pseudocrise não ser uma emergência, qualquer elevação frequente ou persistente da pressão arterial deve ser avaliada por um médico, o qual pode determinar se há necessidade de monitoramento mais rigoroso, ajuste no estilo de vida ou, eventualmente, o início de um tratamento medicamentoso.



Tratamento da Hipertensão Arterial Sistêmica


Entendi a diferença entre pseudocrise e emergência hipertensiva, mas o que fazer quando a pressão se mantém elevada mesmo sem sintomas, quando realizado MRPA ou MAPA e ela se manteve acima dos valores normais?

Nesse momento é necessário iniciar uma intervenção e controle hipertensivo, sendo o tratamento dividido em abordagens farmacológicas e não farmacológicas. O objetivo principal é reduzir a pressão arterial para níveis que minimizem o risco de complicações cardiovasculares e renais. As diretrizes mais recentes recomendam que o tratamento comece com mudanças no estilo de vida, incluindo a redução do consumo de sal, a prática regular de exercícios físicos e a perda de peso em pessoas com sobrepeso ou obesidade.

Dietas ricas em frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura, como a Dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), têm se mostrado eficazes na redução da pressão arterial. Além disso, a redução do consumo de álcool e a cessação do tabagismo são medidas fundamentais no controle da hipertensão.


  1. Redução do consumo de sal:

    Limitar o consumo de sódio é uma das abordagens mais eficazes. A ingestão diária deve ser inferior a 2 g de sódio (5 g de sal). Pode diminuir a PA em até 5 mmHg em pacientes hipertensos;

  2. Dieta saudável:

    A Dieta DASH  é rica em frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios com baixo teor de gordura e alimentos com baixo teor de gordura saturada;

  3. Controle do peso corporal:

    A perda de peso em pessoas com sobrepeso ou obesidade é essencial para o controle da hipertensão. A cada perda de 5-10% do peso corporal, há uma redução significativa na PA.

  4. Atividade física regular:

    A prática de exercícios físicos moderados, como caminhar, nadar ou andar de bicicleta, por pelo menos 150 minutos por semana, pode ajudar a reduzir a pressão arterial em 4-9 mmHg. O exercício também melhora a saúde cardiovascular de maneira geral.

  5. Redução do consumo de álcool:

    Limitar o consumo de álcool é fundamental. O consumo excessivo pode aumentar a pressão arterial. A recomendação é reduzir a ingestão para no máximo uma dose por dia para mulheres e duas doses para homens.

  6. Cessação do tabagismo:

    O tabagismo não só contribui para o aumento da pressão arterial, mas também agrava os riscos de complicações cardiovasculares em hipertensos. Parar de fumar resulta em benefícios imediatos e de longo prazo para a saúde arterial.

  7. Gestão do estresse:

    Técnicas de relaxamento, como a meditação, yoga e respiração profunda, ajudam a reduzir a resposta do corpo ao estresse, diminuindo a liberação de hormônios que aumentam a pressão arterial.

  8. Aumento da ingestão de potássio:

    Alimentos ricos em potássio, como bananas, batatas e espinafre, podem ajudar a balancear os efeitos do sódio e reduzir a pressão arterial.

  9. Redução do consumo de cafeína:

    Embora o impacto da cafeína varie de pessoa para pessoa, a redução do consumo de bebidas ricas em cafeína pode beneficiar alguns indivíduos sensíveis a seus efeitos.


Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar a pressão arterial, os medicamentos são introduzidos. O tratamento farmacológico deve sempre ser realizado sob acompanhamento médico especializado, pois é essencial que o profissional avalie a eficácia do tratamento, faça ajustes quando necessário e monitore possíveis efeitos adversos, podendo precisar de um período de adaptação, já que nem sempre a primeira medicação prescrita será a ideal para o paciente. É comum que o médico ajuste as doses ou até mesmo combine diferentes classes de medicamentos para alcançar o melhor controle da pressão arterial. Por isso, é fundamental buscar um profissional habilitado e competente, que possa guiar o paciente de maneira segura ao longo de todo o processo.



Acompanhamento multidisciplinar


O paciente está no centro de todo o processo de cuidado e seu envolvimento ativo em seu próprio tratamento é essencial para o sucesso a longo prazo, seu estilo de vida , que inclui o comportamento de saúde e o contexto social, é um fator indispensável no manejo da saúde. O uso correto e regular dos medicamentos prescritos, quando necessários, faz parte fundamental do controle de doenças, sua adesão à terapia medicamentosa é vital para o sucesso do tratamento e o envolvimento dos membros da família deve ajudar o paciente a aderir ao tratamento e ao autocuidado, além de fornecer um ambiente de apoio durante esse processo.

O cuidado não depende de um único profissional de saúde e sim de uma equipe multidisciplinar, que pode incluir médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas, trabalhando em conjunto para garantir que todas as necessidades do paciente sejam atendidas, sempre o envolvendo em práticas que o próprio paciente adota para melhorar sua saúde, como monitorar a pressão arterial, controlar a dieta, praticar exercícios e seguir orientações médicas. O autocuidado é importante para manter a saúde fora do ambiente hospitalar.

A imagem ilustra o paciente no centro do cuidado médico, cercado por cinco elementos fundamentais para o manejo eficaz da saúde: estilo de vida, medicações, autocuidado, família e equipe médica multidisciplinar. Cada um desses fatores é representado por um ícone ou figura: o estilo de vida inclui comportamento de saúde e contexto social; a equipe médica multidisciplinar envolve diferentes profissionais da saúde; a família oferece suporte emocional e prático; o autocuidado se refere a práticas adotadas pelo próprio paciente; e as medicações são essenciais para o controle de doenças crônicas. A imagem reforça a abordagem integrada e centrada no paciente para um cuidado eficaz.

A hipertensão arterial é uma condição grave que pode levar a complicações fatais se não for diagnosticada e tratada adequadamente. No entanto, com as abordagens certas, que incluem mudanças no estilo de vida, tratamento medicamentoso e um monitoramento regular, é possível controlar a pressão arterial e reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares e renais. Se você tem mais de 40 anos ou apresenta fatores de risco, como obesidade ou histórico familiar, não deixe de medir sua pressão regularmente e procurar um médico para uma avaliação completa. A prevenção e o controle são as melhores armas contra a hipertensão.

Para o sucesso do cuidado em longo prazo, o paciente deve adotar mudanças no estilo de vida, aderir aos medicamentos, contar com o suporte da família e do sistema social, e ser atendido por uma equipe de profissionais de saúde. Essa abordagem integrada melhora os resultados do tratamento e a qualidade de vida do paciente.



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